Mais do que consolidar a cultura digital, é necessário instrumentalizar as pessoas para o uso consciente das tecnologias e para que possam participar ativamente do debate público.

Por uma Cultura Digital inclusiva, livre e emancipadora

A adoção de aparatos tecnológicos digitais influencia diretamente os fenômenos culturais contemporâneos, instaurando um novo contexto em que devem ser contempladas pela sociedade e o Estado as questões relacionadas à democratização do acesso e valorização da diversidade. Segundo o Fórum da Cultura Digital Brasileiro, “a era digital da cultura passa exigir políticas integradas que possam reverberar nos distintos domínios dos saberes e das práticas, a fim de assegurar a existência de uma esfera pública fortalecida, autoconsciente e aberta à inclusão das diferenças constituintes do pluralismo social brasileiro”. A cultura digital envolve todas as relações humanas mediadas por dispositivos digitais, é necessário fortalecer a instrumentalização para o uso das tecnologias de forma consciente, autônoma e cidadã desde a formação infantil.

Florianópolis e a Tecnologia

Há uma corrente de pensamento que vê Florianópolis como uma espécie de “Vale do Silício” brasileira. É uma visão que pretende transformar a cidade em uma “Ilha do Silício”, um lugar atrativo para as empresas de tecnologia, uma terra de oportunidades para investidores. Essa mentalidade, infelizmente, encontra muitos adeptos no setor de tecnologia, essa visão “startuperinha”, de criação de empresas “unicórnio”, de inclusão de brasileiros na lista da Forbes. Uma cultura que incentiva, estimula o individualismo, a competição, o egoísmo, o software-proprietário, o copyright. 

Mas felizmente há também outra corrente de pensamento no ambiente de tecnologia, e essa corrente também é expressiva, que defende valores como a colaboração, a empatia, o software livre, o copyleft, a transparência, a solidariedade, o uso das tecnologias para gerar desenvolvimento para toda a sociedade e não para poucos escolhidos. Nossa administração deve estimular e criar espaços para que esse pensamento cresça e ganhe mais forças na sociedade. Uma visão de que o conhecimento é uma construção coletiva e, portanto, deve ser apropriado coletivamente e colocado em uso a favor da maioria do povo. Uma tecnologia que só sirva pra gerar novos milionários não é uma tecnologia que nos sirva.

Integração Administração-Universidades-Empresas-Comunidades

Nossa administração poderá ter um papel fundamental se articular e combinar espaços e apoios institucionais – a produção tecnológica das universidades públicas e privadas que estão em Florianópolis com as muitas empresas dos mais variados segmentos tecnológicos que também estão em nossa cidade e, principalmente, fazer essa articulação-colaboração se materializar em ações reais que mudem as vidas das comunidades, do povo, gerando empregos, renda, qualidade de vida, mais educação, mais saúde, mais cultura, mais conhecimento.